Legenda: A cebola disparou 64%. Foto: Shutterstock

A inflação oficial do Brasil, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), caiu 0,32% em agosto, segundo o IBGE. Foi a maior queda mensal de preços desde agosto de 2022.

O alívio, porém, chegou com muito menos força à Grande Fortaleza, que passou a ter a maior inflação acumulada do País em 2026. 

O QUE É DEFLAÇÃO

Quando o IPCA fica negativo, como foi em agosto, tanto no Brasil, como na Região Metropolitana de Fortaleza, dizemos que houve deflação, ou seja, o conjunto dos preços pesquisados ficou, em média, mais barato do que no mês anterior.

Em agosto, o principal motivo foi a energia elétrica, com queda de 7,63%. A explicação está no chamado bônus de Itaipu, um crédito de R$ 872 milhões, vindo do lucro da usina binacional, abatido nas contas de luz de agosto de quem consumiu menos de 350 kWh em algum mês de 2025.

 

 

E A GRANDE FORTALEZA?

Na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), a deflação em agosto foi de apenas 0,10%. Entre as 16 áreas pesquisadas pelo IBGE, todas com deflação no mês, só Brasília (-0,02%) teve recuo menor.

GRANDE FORTALEZA NO TOPO DO RANKING

O resultado é que a Grande Fortaleza acumula inflação de 3,93% de janeiro a agosto, contra 3,11% do Brasil, e assume, agora, a liderança entre as 16 áreas pesquisadas pelo IBGE. Veja, a seguir, o ranking completo da inflação acumulada em 2026.

Veja o ranking completo da inflação em 2026 (janeiro a agosto), segundo o IBGE:

1. Fortaleza (CE), 3,93% 

2. São Luís (MA), 3,88%

3. Campo Grande (MS), 3,79%

4. Aracaju (SE), 3,69%

5. Recife (PE), 3,45%

6. Rio de Janeiro (RJ), 3,31%

7. Goiânia (GO), 3,28%

8. São Paulo (SP), 3,28%

9. Grande Vitória (ES), 3,16%

10. Belém (PA), 3,10%

11. Brasília (DF), 3,06%

12. Porto Alegre (RS), 2,93%

13. Rio Branco (AC), 2,80%

14. Salvador (BA), 2,79%

15. Belo Horizonte (MG), 2,76%

16. Curitiba (PR), 1,96%

Fonte: IBGE – IPCA (2026)

OS VILÕES DO BOLSO NA RMF EM 2026

Para saber o que mais pesou, é preciso cruzar a variação acumulada de cada produto ou serviço com o seu peso no orçamento das famílias. A tabela a seguir mostra os oito maiores responsáveis pela inflação da Grande Fortaleza neste ano.

 

Tabela de dados.
Foto: Elaboração própria

A gasolina segue na liderança. Ela subiu 8,91% na RMF neste ano, o dobro dos 4,30% registrados no Brasil, e é o item de maior peso no orçamento medido pelo IPCA.

O ônibus urbano acumula alta de 20,41%, reflexo do reajuste da tarifa de R$ 4,50 para R$ 5,40 em 1º de janeiro, o maior aumento em valor da história da capital. Não por acaso, o grupo transportes acumula 5,00% na RMF, contra 1,93% no Brasil, e explica boa parte da distância entre a inflação local e a nacional.

O aluguel residencial (5,07% aqui, contra 2,74% no País) e as mensalidades do ensino fundamental (9,88%) completam o quadro.

São preços que, uma vez reajustados, dificilmente voltam atrás.  

Por fim, a deflação de agosto é uma boa notícia, mas pede leitura cuidadosa. Boa parte do alívio veio de fatores pontuais, como o bônus de Itaipu, que não se repete em setembro, e a safra de hortifrútis.

Na Grande Fortaleza, a inflação segue elevada e puxada por preços que não costumam recuar, como a tarifa de ônibus, as mensalidades escolares e o aluguel. Vale ficar de olho.

 

Diário do Nordeste/Allisson Martins

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