Moradores do interior do Ceará vêm enfrentando uma verdadeira maratona para conseguir acesso às perícias médicas do INSS. Em cidades como Parambu, a distância até o local mais próximo de atendimento pode ultrapassar os 400 km, obrigando beneficiários a gastar tempo e dinheiro que muitas vezes não possuem.

Essas viagens não são apenas cansativas: elas representam um peso financeiro enorme. Famílias chegam a desembolsar valores próximos a um salário mínimo em transporte, hospedagem e alimentação para cumprir o agendamento. Para quem depende exclusivamente do benefício para sobreviver, esse custo é praticamente inviável.

O problema se agrava porque, mesmo existindo agências do INSS em algumas cidades, não há médicos peritos disponíveis para realizar os atendimentos. Isso força os moradores a se deslocarem para municípios vizinhos, que também não conseguem absorver toda a demanda. A consequência é que muitos trabalhadores rurais, idosos e pessoas em situação de vulnerabilidade acabam desistindo do processo, permanecendo sem acesso ao benefício que lhes é de direito.

A Justiça já estabeleceu que as perícias deveriam ser realizadas em locais até 70 km da residência do segurado, mas como essa decisão não tem força de lei, o INSS não é obrigado a cumpri-la. Assim, milhares de cearenses continuam percorrendo distâncias muito maiores, enfrentando estradas precárias e custos elevados.

Esse cenário revela uma dura realidade: o direito ao benefício previdenciário, que deveria ser garantido, acaba se tornando inacessível para quem mais precisa. A falta de estrutura e de profissionais no interior do estado transforma a busca por atendimento em uma jornada de sacrifício, deixando famílias ainda mais vulneráveis.

 

g1

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