Paulo Silvio se licenciou do cargo de chefe da Comissão de Arbitragem da FCF após as denúncias de assédio — Foto: Lucas Emanuel/FCF
Paulo Silvio se licenciou do cargo de chefe da Comissão de Arbitragem da FCF após as denúncias de assédio — Foto: Lucas Emanuel/FCF

Quatro árbitras cearenses denunciaram o diretor da Comissão de Arbitragem da Federação Cearense de Futebol (FCF), Paulo Silvio dos Santos, por assédio sexual e tentativa de estupro. Os relatos apontam que os episódios começaram em 2018, durante cursos de formação, e se estenderam ao longo dos anos. As denunciantes afirmam que, após recusarem convites e investidas do dirigente, suas carreiras foram prejudicadas, com redução nas oportunidades de escalação em jogos.

Uma das árbitras relatou que, em 2022, passou a receber convites insistentes para festas e encontros na casa do diretor, inclusive em horários noturnos. Ao iniciar um relacionamento, disse ter sido afastada das escalas e acabou desistindo da arbitragem em 2025. Outra árbitra afirmou que, em uma confraternização, o dirigente tentou agarrá-la em um quarto de motel, mesmo após sua negativa. Outras duas mulheres também apresentaram denúncias semelhantes.

Diante das acusações, Paulo Silvio se licenciou do cargo por 30 dias. A FCF instaurou uma sindicância interna, conduzida por uma comissão de três pessoas, presidida por uma mulher. Entre as medidas adotadas estão a preservação de documentos, a proibição de contato do investigado com denunciantes e testemunhas, além da garantia de que não haverá retaliações profissionais. O relatório final poderá recomendar a demissão do dirigente e encaminhar o caso à Comissão de Ética da CBF.

Confira a nota da defesa do investigado na íntegra:

“O Sr. Paulo Silvio nega, de forma veemente, as alegações que lhe são atribuídas e afirma que jamais praticou qualquer conduta de assédio sexual, importunação sexual, violência sexual ou qualquer outro ato ilícito.

As declarações divulgadas até o momento representam versões unilaterais apresentadas perante a autoridade policial, as quais serão devidamente analisadas no curso da investigação. A defesa confia que a apuração será conduzida com imparcialidade, observando-se o devido processo legal, o contraditório, a ampla defesa e, sobretudo, a presunção de inocência, garantia constitucional que impede qualquer juízo antecipado de responsabilidade.

Por orientação jurídica, o investigado não comentará individualmente os relatos ou pessoas mencionadas, justamente para preservar a lisura da investigação e evitar qualquer interferência na produção das provas.

O Sr. Paulo Silvio permanece à inteira disposição da Polícia Civil e das demais autoridades competentes para prestar todos os esclarecimentos necessários, certo de que os fatos serão devidamente esclarecidos por meio da prova produzida no procedimento investigatório.

A defesa manifesta, ainda, preocupação com a divulgação pública de alegações antes mesmo de qualquer oitiva do investigado ou da conclusão das investigações, situação que pode comprometer a honra, a imagem e a própria efetividade do devido processo legal. Espera-se que todas as instituições e os veículos de comunicação conduzam o tratamento do caso com responsabilidade, equilíbrio e respeito às garantias constitucionais de todos os envolvidos.”

g1

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