MILAGRE GRANATE

“Senhor, não vão revisar?”, perguntou Marcelo Gallardo ao quarto árbitro, aos 40 minutos do primeiro tempo, quando o River vencia o Lanús por 2 a 0. O técnico pedia a revisão de possível pênalti não marcado para o Millonario. O juiz colombiano Wilmar Roldán não revisou. O Lanús diminuiu. Empatou. Virou. E fez o quarto, em uma noite histórica no La Fortaleza. Após perder por 1 a 0 no jogo de ida, o time granate saiu perdendo em casa, viu a vaga na final praticamente ser selada para a equipe de camisa “mais pesada”, mas mostrou que também sabe ser gigante. Em jogo de reviravoltas e com ajuda do vídeo, o Lanús venceu o River Plate por 4 a 2 e está em sua primeira final de Libertadores.

PRIMEIRO TEMPO: RIVER COM VAGA NA MÃO

A vantagem obtida pelo River no jogo de ida não era tão grande. O Lanús não queria ser vazado logo no início. O resultado disso foi um início de jogo de poucos riscos. Mas por pouco tempo. Aos 15 minutos, Nacho Fernández foi derrubado dentro da área por Braghieri. Wilmar Roldán marcou o pênalti, convertido por Scocco. O atacante marcou seu oitavo gol na competição e é artilheiro, ao lado de Chumacero. O Millo colocou um pé e meio na final aos 22 minutos.

Após cobrança de falta de Pity Martínez da direita, Andrada deu rebote, e Montiel aproveitou: 2 a 0. O Lanús precisaria de quatro gols para se classificar. Aos 40, um lance capital. Scocco recebeu na direita, driblou Marcone, e a bola pegou no braço do volante. O árbitro nada marcou e não pediu revisão. Cinco minutos depois, Sand recebeu pelo lado direito chutou forte para diminuir o placar para o Lanús: 2 a 1.

SEGUNDO TEMPO: VIRADA HEROICA

Com poucos segundos na etapa complementar, o castigo para o River aumentaria. Foi o tempo necessário para o capitão e ídolo do Lanús, Sand, receber a bola dentro da área pela esquerda e empatar a partida: 2 a 2. O gol inflou os donos da casa e a torcida. O time de Marcelo Gallardo, por sua vez, se abateu. Não reagia. E, aos 16 minutos, Alejandro Silva cruzou rasteiro da direita, e Acosta virou para os Granates. O milagre estava anunciado.

Aos 19, o lance capital. Pasquini recebeu dentro da área e foi puxado. Inicialmente, Wilmar Roldán não marcou o pênalti. No entanto, após mais de um minuto, decidiu revisar o lance e assinalou a penalidade, convertida por Alejandro Silva: 4 a 2. Nos minutos finais, o River acertou a trave, Andrada fez duas defesas incríveis, Lux foi à área, mas a vaga na decisão tinha dono: o Lanús.

VAR: A PRIMEIRA POLÊMICA

Anunciado com orgulho pela Conmebol para as semifinais da Libertadores, o árbitro de vídeo passou incólume pelos dois jogos de ida. No entanto, foi decisivo nesta terça. E com polêmica. O árbitro colombiano revisou ao menos dois lances – pelo que ficou claro na transmissão do jogo. O primeiro, ao validar o gol de Montiel. A segunda, ao dar pênalti em cima de Pasquini, na segunda etapa, quando o Lanús fez o quarto e decisivo gol. No entanto, a maior polêmica ficou por conta de um lance não revisado. Aos 40 minutos do primeiro tempo, quando o River vencia por 2 a 0, Marcone colocou o braço na bola. Marcelo Gallardo perguntou ao quarto árbitro: “senhor, não vão revisar?”. Não revisaram. E o Millonario foi eliminado.

DECISÃO NA ARGENTINA

O Lanús está em sua primeira final de Libertadores da histórica. Campeão da Copa Sul-Americana em 2013, o time granate busca a inédita taça e decidirá o título, contra Grêmio ou Barcelona de Guayaquil, na Argentina. O time granate terminou com melhor campanha na primeira fase e a vantagem de ser mandante na partida de volta. O detalhe é que o Lanús só conseguiu ficar em primeiro na colocação geral da fase de grupos depois que levou os pontos do duelo com a Chapecoense, após punição à Chape por escalação irregular. As finais serão nos dias 22 e 29 de novembro.

CAIU O SENHOR MATA-MATA

O River de Marcelo Gallardo buscava sua 31ª classificação em 38 confrontos de mata-mata desde o meio de 2014, quando o técnico assumiu a equipe. O time é um especialista em duelos eliminatórios. Esteve muito perto da sua segunda final de Libertadores em três anos. Mas caiu diante de um algoz conhecido. Antes do jogo desta terça, o Millonario comandado por Muñeco havia sido eliminado sete vezes, por cinco equipes diferentes. Uma delas era justamente o Lanús, que em 2017 foi campeão da Supercopa Argentina em cima do próprio River.

Fonte: Globoesporte.com

       
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