As exportações de mel do Ceará registraram uma queda expressiva no primeiro trimestre de 2026, com recuo de 80,2% em relação ao mesmo período do ano anterior. A receita caiu de US$ 2,46 milhões para US$ 488,1 mil, e o volume embarcado despencou de 748 toneladas para menos de 140. Foi a maior retração entre os principais produtos do agronegócio cearense.
Segundo a Federação dos Apicultores do Estado (Fecap), a baixa não reflete redução na produção, mas sim o fato de que grande parte do mel cearense é comercializada por empresas de outros estados, como o Piauí, que acabam registrando a exportação em seus nomes. Atualmente, o Ceará mantém mais de 300 toneladas estocadas, já que o mel não tem prazo de validade e produtores preferem aguardar preços melhores.
No cenário nacional, as exportações de mel também caíram, com retração de 43,7%. O Ceará, que antes ocupava a sexta posição entre os estados exportadores, caiu para a nona, perdendo espaço para Maranhão, Bahia e Rio Grande do Sul.
Tarifaço não foi um problema, afirma Fecap
Os números ainda não representaram um impacto direto do tarifaço, que só viria a afetar o mel a partir de agosto do ano passado, segundo Joventino Neto.
O presidente da Fecap afirma que o maior problema na queda das exportações está no fato de que outros estados passaram a se beneficiar do produto cearense para exportar como se fossem deles.
“A gente pode dizer que o Ceará mal exporta mel. Um total de 98% do nosso mel vai para uma empresa do Piauí e é mandado por lá. O Ceará mesmo é considerado um dos maiores produtores”, considera.













