O episódio investigado pelo Ministério Público do Ceará, envolvendo mensagens atribuídas ao Comando Vermelho que ordenaram o fim das brigas entre torcidas organizadas de Ceará e Fortaleza, levanta uma questão inquietante: quem, de fato, exerce autoridade sobre o estado?

Segundo as apurações, após confrontos violentos no Clássico-Rei, circulou um “salve” da facção determinando que as torcidas não deveriam mais se enfrentar. Pouco depois, presidentes de duas das maiores organizadas anunciaram suas renúncias em vídeos, reforçando a percepção de que a ordem criminosa teve efeito imediato.

Esse cenário expõe um dilema grave: quando uma facção criminosa consegue impor disciplina e ditar regras que deveriam ser prerrogativa exclusiva do Estado, a soberania institucional é colocada em xeque. A pergunta “quem comanda o Ceará?” não é apenas retórica, mas traduz a preocupação com a capacidade real das autoridades de garantir segurança pública e manter o monopólio legítimo da força.

O Ministério Público já abriu investigação para apurar a origem das mensagens e avaliar o alcance da influência da facção sobre as torcidas. Mas o episódio revela que, em determinados contextos, o poder paralelo parece se sobrepor às instituições oficiais, criando uma situação em que a população se vê governada por ordens vindas do crime organizado.

Essa disputa simbólica e prática pelo controle social é um dos maiores desafios da segurança pública no Ceará: restaurar a confiança de que quem dita as regras é o Estado, e não grupos criminosos.

 

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