A cerca de 20 quilômetros do centro de Brejo Santo, no sítio Queimadas, comunidade rural de Baixio dos Bastos, vive o povo Isú-Kariri. O grupo, formado por cerca de 20 famílias, estabeleceu residência no local no início da década de 1990. Hoje, vive o desafio diário de alinhar as tradições ancestrais às transformações do mundo contemporâneo. Há 2 anos, a comunidade recebeu a a primeira e única Escola Indígena do Cariri, inaugurada oficialmente neste mês de agosto.
Se antes os encontros entre os mestres da cultura ocorriam apenas no território comunitário, agora os saberes tradicionais ganharam as salas de aula. A unidade de ensino atende quase 90 alunos em formato de tempo integral.
➡️ A palavra Isú-Kariri faz referência ao local de origem e significa “fogo” na língua Kariri.
Semanalmente, os mestres Isú-Kariri visitam os estudantes para ensinar sobre plantas medicinais, ciências da natureza, artesanato e histórias ancestrais.
“A criação da escola representa a valorização do povo que vive nesse território e uma reparação histórica. A partir das vivências pedagógicas, essa cultura permanece viva, respeitada e valorizada”, pontua o secretário de Educação de Brejo Santo, David Júnior.
A diretora da instituição, Cícera Pereira (conhecida como Simone), ressalta que a rotina escolar é voltada ao fortalecimento da identidade indígena. “Começamos o dia com o canto dos nossos ancestrais. Ensinamos a confecção de artesanatos, como o cocar de palha de bananeira, feito pela mestra Tia Toinha. A escola não se limita ao prédio físico: ela vai até o quintal dos pais, e os mestres vêm até nós”, explica.







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