No dia 11 de agosto, o policial militar Raphael Sampaio da Silva, de 27 anos, foi encontrado morto e carbonizado em um carro na Região Metropolitana de Fortaleza. Em menos de uma semana, o crime teve diversos desdobramentos, como a prisão de uma PM colega de batalhão por suspeita do homicídio, a prisão do marido da policial e até a detenção do advogado dela. Entretanto, a polícia ainda não detalhou a motivação do crime e a participação dos suspeitos.

As informações sobre o que se sabe do caso são do g1. Confira abaixo:

Como e onde o crime aconteceu?

O policial militar Raphael Sampaio foi encontrado carbonizado dentro de um carro incendiado no bairro Ancuri, na divisa entre Fortaleza e Itaitinga, na manhã da terça-feira (11). A dinâmica exata do crime não foi revelada, porém, de acordo com a perícia inicial, Raphael foi baleado a depois teve o corpo carbonizado, após colocarem fogo no veículo.

Polícia localizou o corpo do policial Raphael Sampaio da Silva após receber uma denúncia de um carro em chamas abandonado no Bairro Ancuri, em Fortaleza. — Foto: Reprodução/ Arquivo pessoal
Polícia localizou o corpo do policial Raphael Sampaio da Silva após receber uma denúncia de um carro em chamas abandonado no Bairro Ancuri, em Fortaleza. — Foto: Reprodução/ Arquivo pessoal

O corpo do PM foi localizado após uma testemunha avistar o carro em chamas e acionar as forças de segurança. O Corpo de Bombeiros foi ao local, apagou o incêndio no carro e identificou que havia um corpo no interior do automóvel, posteriormente identificado como o de Raphael.

Raphael Sampaio ingressou na Polícia Militar do Ceará em junho de 2022. Ele estava, atualmente, lotado na 2ª Companhia do 16º Batalhão de Polícia Militar (2ºCia/16ºBPM), mesma lotação de uma das suspeitas do crime.

Quem são os suspeitos?

 

Até o momento, a polícia prendeu duas pessoas suspeitas de participação na morte de Raphael: a policial militar Júlia Natália Girão Gomes e o marido dela, Antoneudo Ribeiro Lima Júnior.

Júlia Natália foi presa em flagrante terça (11) por suspeita de participação no homicídio. Já Antoneudo foi preso no mesmo dia em flagrante por posse de munições e de documentos falsos.

A prisão em flagrante de Antoneudo foi relaxada pelo juiz, na audiência de custódia, no entanto, na mesma audiência o juiz acatou o pedido dos investigadores e decretou a prisão temporária dele (com tempo determinado para expirar), por suspeita de participar do homicídio.

Para Júlia Natália, o juiz do 7º Núcleo de Custódia e Garantias, de Maracanaú, decretou prisão preventiva (sem prazo definido para expirar).

Policial militar Júlia Natália e marido dela, Antoneudo Ribeiro, estão presos por suspeita de envolvimento na morte do policial Raphael Sampaio — Foto: Reprodução
Policial militar Júlia Natália e marido dela, Antoneudo Ribeiro, estão presos por suspeita de envolvimento na morte do policial Raphael Sampaio — Foto: Reprodução

Júlia Natália ingressou na Polícia Militar por meio do concurso público realizado em 2021, tendo sido convocada em 2022. Ela é suspeita de fazer parte de um esquema que vendia contas falsas para motoristas em aplicativos de transporte. Ela responde por estelionato, lavagem ou ocultação de bens e integrar organização criminosa.

O marido dela, Antoneudo, é apontado como o articulador da fraude, enquanto a mulher atuava como colaboradora, cedendo dados pessoais, além de instrumentos financeiros e de comunicação, para viabilizar as atividades criminosas do grupo.

Em setembro de 2025, Antoneudo foi capturado por vender os perfis falsos nos apps de transporte e passou 5 meses preso. Ele responde por estelionato, falsa identidade, lavagem ou ocultação de bens, direitos e valores, integrar organização criminosa, receptação e posse irregular de arma de fogo de uso permitido.

Qual a motivação do crime?

 

Até o momento, não há uma motivação apresentada oficialmente. A família de Raphael Sampaio contou que o soldado possuía um relacionamento extraconjugal com Júlia Natália, e acha que isso pode ter relação com o assassinato dele.

Conforme Rosilane Sampaio, tia da vítima, o relacionamento extraconjugal existe pelo menos desde março de 2026. À época, o policial mostrou fotos da soldado, que era colega de equipe dele.

“Houve sim uma relação extraconjugal, mas não quer dizer que merecia a morte. Nem ela merecia a morte; o marido matá-la, ou a mulher [do soldado] descobrir e ir lá matá-la”, lamentou Rosilane.

 

Júlia Natália Girão Gomes, Raphael Sampaio da Silva e Antoneudo Ribeiro Lima Júnior — Foto: Reprodução
Júlia Natália Girão Gomes, Raphael Sampaio da Silva e Antoneudo Ribeiro Lima Júnior — Foto: Reprodução

O que aponta a investigação e o que alegou a PM presa?

 

Após a morte de Raphael chegar ao conhecimento das autoridades, a Polícia Civil começou a ouvir os colegas de batalhão de Raphael, mas não conseguiu localizar Júlia, nem por telefone, nem em casa. Posteriormente, chegou a informação de que Júlia havia sido localizada em um distrito no município de Aquiraz, na região metropolitana de Fortaleza.

Ela teria saído de um matagal pedindo socorro a moradores da localidade. Assim, a policial primeiro foi encarada como vítima de um sequestro no contexto da morte de Raphael. Aos investigadores, ela disse que saiu do expediente na madrugada da terça-feira de carona com o soldado.

Em determinado local – que ela não lembra qual -, os dois teriam sido abordados por criminosos, que teriam matado o soldado e arrancado a policial de dentro do carro pelos cabelos. Júlia contou que foi amarrada e colocada no porta-malas de outro veículo.

g1

Comentários
Ajude-nos a crescer ainda mais curtindo nossa página!
   
Clique na imagem para enviar sua notícia!