Vista ampla do Açude Castanhão com águas calmas e vegetação aquática em primeiro plano. À direita, a imponente estrutura de concreto da barragem sob um céu carregado de nuvens escuras e pesadas de chuva.
Legenda: Açude Castanhão é o reservatório mais lembrado quando se fala em abastecimento do Ceará. Foto: Honório Barbosa.

O primeiro prognóstico da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) para 2026 traz 60% de condições para chuvas dentro ou acima da média, no intervalo entre fevereiro e abril. Contudo, mesmo que chova bem, o aporte de água nos açudes do Ceará enfrenta um cenário de incerteza e preocupação.

Segundo o presidente da Funceme, Eduardo Sávio Martins, o sistema de recursos hídricos pode não receber o volume esperado mesmo que as chuvas fiquem dentro da média histórica. Isso ocorre porque há uma diferença técnica entre a ocorrência de chuva e o efetivo acúmulo da água para os reservatórios.

O Governo do Estado monitora 143 açudes estratégicos para o abastecimento da população, de acordo com o Portal Hidrológico da Companhia de Gestão dos Recursos hídricos (Cogerh).

Atualmente, um dos principais obstáculos para a recarga é o estado de umidade do solo. Para que a água corra em direção aos rios e reservatórios, a terra já precisaria estar saturada, formando uma “camada de retenção” para segurar as precipitações.

Nesse cenário, em que as chuvas ocorrem sobre o solo ainda seco, a água é primeiramente absorvida pela terra antes de começar a escoar.

Cenário de atenção

Martins explica que a probabilidade de aportes abaixo da média neste ano é alta, chegando a 60% se os cálculos das categorias de previsão forem simplificados.

“Para o sistema de recursos hídricos é preocupante porque, em 50% dos anos que ficam em torno da média, nós temos aporte abaixo da média”, afirmou o presidente durante a divulgação do prognóstico, no último dia 21 de janeiro.

 

De acordo com o especialista, o cenário ideal seria que as condições de umidade estivessem elevadas já na pré-estação chuvosa (meses de dezembro e janeiro), para que o escoamento fosse gerado de imediato.

 

No entanto, o período tem sido bastante negativo: dezembro acumulou apenas 17,9 milímetros, quando a média é de 31,3mm. Janeiro inteiro tem média de 99,8mm, mas até o momento, só choveram 14,4mm. Os dados são do Calendário de Chuvas.

“É por isso que a probabilidade de termos escoamento abaixo da média me preocupa tanto para o setor de recursos hídricos”, destacou o especialista.

 

 

Diário do Nordeste

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