Nesta quarta-feira, 25 de março, o Ceará celebra sua Data Magna, feriado estadual que marca o pioneirismo da província na abolição da escravidão em 1884 — quatro anos antes da assinatura da Lei Áurea. O feriado foi instituído pela Emenda Constitucional nº 73, de 2011, sancionada pelo então governador Cid Gomes, após iniciativa do deputado Lula Morais, autor do Projeto de Lei nº 53/2007.

O movimento abolicionista cearense ganhou força com episódios emblemáticos, como a Greve dos Jangadeiros, em 1881, quando trabalhadores do porto de Fortaleza, liderados por Francisco José do Nascimento, o Dragão do Mar, se recusaram a transportar pessoas escravizadas. A ação foi decisiva para enfraquecer o sistema escravista e inspirar outras regiões do país.

Além de figuras já consagradas, a história também resgata personagens muitas vezes invisibilizados, como Tia Simoa e José Napoleão, que, junto a sociedades libertadoras, arrecadavam recursos para garantir alforrias. O historiador Mateus Django reforça que a abolição não foi uma concessão da elite, mas fruto da mobilização coletiva da população negra e seus aliados.

Mais do que um marco histórico, a Data Magna é apresentada como um convite à reflexão: reconhecer o passado, enfrentar o racismo estrutural e valorizar a memória como instrumento de cidadania. O Ceará não apenas antecipou a abolição, mas deixou um legado de resistência que continua a ecoar no presente.

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