1A morte de quatro detentos da Casa de Privação Provisória de Liberdade Professor José Jucá Neto (CPPL III), em Itaitinga na madrugada de ontem elevou para 42 o número de óbitos nos presídios do Ceará neste ano. Antes mesmo desses casos, 2016 já era o ano com o maior número de mortes nos centros penitenciários do Estado em pelo menos quatro anos.

Segundo dados da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), 25 detentos foram mortos dentro dos presídios no ano passado e outros 36 em 2014. Em 2013, foi registrado o menor número do período: 13 óbitos. A SSPDS não fornece estatísticas anteriores.

Muito do alto índice de 2016 pode ser explicado pelas mortes ocorridas nas unidades prisionais entre 21 e 22 de maio durante e após greve dos agentes penitenciários. Um terço dos óbitos (14) aconteceu naquele fim de semana. No entanto, mesmo quando não são consideradas as mortes registradas nas rebeliões de maio, os dados de 2016 são significativos e maiores que os dez primeiros meses dos anos anteriores. Até outubro de 2015, foram 19 mortes. Para o mesmo período de 2014 e 2013, foram registrados 25 e 11 óbitos, respectivamente.

No dia seguinte, reportagem mostrou que rebeliões continuaram

Por meio de nota, a Secretaria da Justiça e Cidadania (Sejus) aponta que o aumento do número de mortes está relacionado à rebelião e ao aumento da população carcerária. “Neste ano, a taxa de superpopulação nas grandes unidades prisionais da Região Metropolitana de Fortaleza já chegou próximo de 100%. A Sejus ressalta que nos últimos três meses, mais de 500 novas vagas já foram criadas apenas na RMF”, informa o órgão complementando que o excedente carcerário na RMF está atualmente em 50%.

Em 28/5/2016 conselho associava mortes a acertos de contas

Chacina na CPPL III

Por volta das 3 horas de ontem, internos da vivência C da CPPL III quebraram uma grade e invadiram o isolamento da unidade. Eles retiraram de lá quatro presos, que tiveram os corpos carbonizados. Após a Perícia Forense realizar os laudos das mortes, os nomes das vítimas foram divulgados pela Sejus. São eles: Michel Idelfonso da Silva, Evando de Macedo Vieira, Demontier Ferreira dos Santos e Fransueudo Pereira de Souza. A Polícia trata o caso como chacina.

Todos os detentos mortos possuem ligação com crimes cometidos em Iguatu, a 384 km de Fortaleza, entre os anos de 2005 a 2015. São crimes de tráfico de drogas e homicídio.

Segundo Socorro Portela, diretora da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), 250 detentos da vivência serão ouvidos sobre as quatro mortes. Os depoimentos começaram a ser colhidos ontem, com 52 detentos interrogados, e continuarão hoje.

De acordo com o promotor Humberto Ibiapina, coordenador do relatório do Ministério Público do Estado (MPCE) sobre as rebeliões de maio, a promotora Josiana França Pinto acompanha as investigações de crimes que acontecem em penitenciárias da RMF. Uma fonte da Polícia Civil confirmou que havia um promotor de Justiça acompanhando as investigações na DHPP ontem.

A DHPP fez contato com a Polícia e com o Fórum de Iguatu para apurar se a motivação do crime está ligada ao fato de que todos os presos mortos são de Iguatu.

Nordeste Notícia
Fonte: O Povo

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