A imagem mostra um policial federal, fardado e de costas, em frente à sede da Polícia Federal no Ceará.
Legenda: Os repasses milionários à empresa do ramo alimentício são investigados pela Polícia Federal. Foto: Divulgação/ PF.

Uma empresa sediada no Ceará está no centro de uma investigação que aponta suspeitas de desvio de recursos destinados à merenda escolar. De acordo com levantamentos oficiais, a companhia recebeu mais de R$ 60 milhões em contratos públicos, mas há indícios de que parte desse montante não foi aplicada conforme previsto.

O caso expõe fragilidades na fiscalização e reacende o debate sobre a transparência na gestão de verbas voltadas à educação básica, especialmente em programas que deveriam garantir alimentação adequada a estudantes da rede pública.

As apurações revelam que a empresa, mesmo acumulando valores expressivos em repasses, teria utilizado mecanismos irregulares para justificar despesas e movimentações financeiras. A suspeita é de que contratos foram superfaturados e que houve manipulação de documentos para encobrir práticas ilícitas. A investigação, conduzida por órgãos de controle e segurança, busca identificar os responsáveis e dimensionar o impacto do esquema sobre os cofres públicos.

O suposto grupo criminoso realizava saques com cheques e se utilizava de ‘laranjas’, para realizar a lavagem de dinheiro proveniente dos desvios, segundo um relatório da PF.

 

Os investigadores concluíram, no relatório, que “a empresa DLA Comercial de Alimentos EIRELI possuía intenso fluxo de saques em espécie, indicando-se ainda que os envolvidos realizavam alternância entre quem provisionava os valores e quem efetivamente sacava”.

 

O objetivo do grupo seria, “não somente a lavagem do dinheiro relacionado, mas também para que não houvesse a identificação e prisão dos envolvidos com altos valores em espécie”.

 

A foto mostra quatro pilhas de R$ 40 e, atrás, outras pilhas de R$ 100, que totalizam R$ 400 mil, em cima de uma mesa de madeira.
Legenda: Valor de R$ 400 mil em espécie foi sacado pelos suspeitos em uma agência bancária em Iguatu, minutos antes da prisão em flagrante. Foto: Reprodução.

A defesa de Diego Marcondes Cartaxo Tavares e da empresa DLA Comercial de Alimentos, representada pelos advogados Artur Feitosa Arrais Martins e Iolanda Medeiros, emitiu nota em que garantiu que os clientes não têm relação com o saque de R$ 400 mil.

 

A DLA trata-se de empresa idônea, atuante em diversos estados brasileiros, com mais de 70 colaboradores e múltiplas unidades empresariais, cumpridora de suas obrigações legais, fiscais e contratuais, inexistindo sanção civil, administrativa ou criminal que macule sua atuação.”
Artur Feitosa Arrais Martins e Iolanda Medeiros

Advogados de defesa

 

Segundo a defesa, “eventuais questionamentos sobre movimentações bancárias serão devidamente esclarecidos no curso da investigação, com a apresentação dos documentos e justificativas pertinentes”.

Confira a nota da defesa do empresário e da empresa na íntegra:

“A defesa técnica esclarece que o Auto de Prisão em Flagrante lavrado em 30/12/2025 não teve como autuados o Sr. Diego Marcondes Cartaxo Tavares  nem a empresa DLA Comercial de Alimentos EIRELI. Os autuados foram Wallis Bernardo do Carmo e Antônio Oliveira Filho, em ocorrência relacionada a saque da em presa Comercial A WB LTDA.

Conforme registrado no próprio procedimento, o comprovante do saque foi apresentado em nome de empresa diversa (Comercial A WB LTDA), cujo sócio administrador é o Sr. Wallis, evidenciando tratar-se de pessoas e empresas distintas e independentes, sem relação entre s i. Qualquer associação automática entre tais agentes e a DLA, portanto, é indevida e induz a pré-julgamento, o que deve ser evitado em respeito ao devido processo legal e à presunção de inocência.

A DLA trata-se de empresa idônea, atuante em diversos estados brasileiros, com mais de 70 colaboradores e múltiplas unidades empresariais, cumpridora de suas obrigações legais, fiscais e contratuais, inexistindo sanção civil, administrativa ou criminal que macule sua atuação. Eventuais questionamentos sobre movimentações bancárias serão devidamente esclarecidos  no curso da investigação, com a apresentação dos documentos e justificativas pertinentes.

Por fim, informa-se que a defesa técnica já requereu o devido acesso aos autos e permanece inteiramente à disposição da Autoridade Policial, com o objetivo de colaborar e esclarecer os fatos, com a segurança de que, ao final, equívocos interpretativos serão esclarecidos e a inocência será confirmada.”

 

 

 

Diário do Nordeste

 

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