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Os criminosos tentaram cobrar uma taxa por cada garrafão vendido pelas empresas fornecedoras e também cobrar uma taxa dos comerciantes locais. A ordem de ameaçar e extorquir distribuidores de água mineral em Sobral (CE) partiu de um membro do Comando Vermelho (CV) do Ceará escondido no Rio de Janeiro, conforme depoimento de um dos 10 presos suspeitos de participação no esquema.
O caso veio à tona após um vídeo que circulou nas redes sociais em que um revendedor de água anuncia que iria fechar o comércio por causa das ameaças. Após a repercussão, pelo menos 10 suspeitos foram presos entre a quarta-feira (4) e a sexta-feira (6) por suspeita de integrar o esquema.
Em depoimento ao qual o g1 teve acesso, um dos suspeitos preso na sexta-feira (6) relatou que as orientações foram compartilhadas via WhatsApp em um grupo que reúne membros da facção em Sobral, em bairros como Alto da Brasília, Paraíso das Flores e Recanto.
Conforme o depoimento, a ordem para iniciar o esquema de cobranças e ameaças partiu de um criminoso identificado “Wilker”, conhecido por “Big Smurf”, que era liderança do Comando Vermelho no bairro sobralense de Alto da Brasília, mas está escondido no Rio de Janeiro.
Pelas orientações, a facção iria autorizar apenas a comercialização de duas marcas de água, sobre as quais cobraria uma taxa por cada garrafão vendido. Conforme apuração da TV Verdes Mares, os criminosos queriam R$ 1,50 por cada garrafão de 20 litros vendido pelas distribuidoras para os comerciantes.
As demais marcas deveriam ser proibidas de vender nos bairros citados, e os membros do Comando Vermelho ficariam responsáveis tanto por avisar aos comerciantes como por impedir a circulação dos caminhões das empresas.
“Caminhão de água pode parar todos. Os comerciante que vende tem que pegar as que nois determina”, escreveu um dos criminosos no WhatsApp. Em outro momento, outro suspeito compartilha um “salve” (comunicado geral) da facção para os comerciantes proibindo a venda de uma determinada marca: “Estamos já deixando todos cientes. Pra depois dizer que não sabia”.
O suspeito que prestou depoimento não responde por nenhum crime e foi liberado no sábado (7), horas após a prisão, depois de passar por audiência de custódia. Na ocasião, o Ministério Público do Ceará (MPCE) emitiu posicionamento favorável à soltura do homem.
📌 Como funcionava o esquema:
- Os suspeitos agiam em duas frentes, contra empresas fornecedoras e contra comerciantes locais.
- As empresas eram obrigadas a repassar uma parte do valor de cada venda de garrafão de água para o grupo criminoso, em uma espécie de “taxa” imposta sobre cada venda;
- Já nos bairros, os donos de estabelecimentos eram ameaçados e coagidos a vender exclusivamente uma determinada marca de água, justamente aquela controlada pela facção;
- Os criminosos também exigiam uma quantia diária para que esses comerciantes pudessem continuar trabalhando no local;
Comerciantes relatam ameaças
Um comerciante do ramo de água mineral em Sobral, que não será identificado por questões de segurança, disse à TV Verdes Mares que o grupo exigia pagamento diário de R$ 1 mil para que ele pudesse trabalhar. Como não conseguiu pagar a quantia, o comerciante decidiu fechar o negócio e mudar para outra cidade.
Em entrevista exclusiva, a vítima disse que começou a receber ameaças ainda na segunda-feira (2). Na ocasião, os criminosos exigiram que ele encerrasse suas atividades caso não aceitasse trabalhar com marcas definidas pela facção:
“Recusei, sugeriram uma taxa de R$ 1 mil a diária para eu trabalhar. Com uma taxa muito alta, eu não consegui trabalhar. Fechei os depósitos e [fiquei] recebendo as ameaças [para] que eu saísse de casa. Saí de casa e fui embora para outras cidades, sendo que eu deixei meus bens materiais [em Sobral]. Arrombaram minha casa, roubaram tudo, bagunçaram. E hoje estou em outra cidade, pensando em sair do estado”, relatou.
Outro comerciante que também preferiu não se identificar disse à TV Verdes Mares que ao longo da semana passou a circular em grupos de WhatsApp uma tabela com os novos preços sugeridos para o garrafão, já com um aumento no qual parte do valor seria destinado aos criminosos.













