Após o acidente, a Chapecoense foi consagrada a campeã da Copa Sul-Americana de 2016
Após o acidente, a Chapecoense foi consagrada a campeã da Copa Sul-Americana de 2016 Crédito: Reprodução/ Nelson Almeida / AFP PHOTO

O trágico acidente sofrido pela equipe da Chapecoense completa sete anos nesta terça-feira, 28 de novembro. O voo da empresa LaMia sofreu falhas técnicas durante o trajeto que partiu de Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, e levaria a delegação da Chapecoense para o Aeroporto Internacional José María Córdova, em Rionegro, na Colômbia.

A aeronave transportava jogadores, comissão técnica, dirigentes e jornalistas e caiu próximo à cidade de Medellín. A Chapecoense iria jogar sua primeira final internacional da história, a final da Copa Sul-Americana de 2016, contra o Atlético Nacional.

Acidente aéreo da Chapecoense: relembre

A forte empolgação da sua primeira final internacional estava não só no elenco, mas toda a cidade de Chapecó e o estado de Santa Catarina estavam bastante ansiosos pelo evento. Ao longo da campanha, foram jogos brilhantes e recheados de emoção.

A trajetória da Chapecoense iniciou eliminando o Cuiabá na segunda fase do torneio. Na fase mais lembrada da campanha, os brasileiros enfrentaram o San Lorenzo. Após um empate na Argentina por 1×1, com uma partida brilhante do goleiro Danilo Padilha, a Chapecoense conseguiu segurar um 0x0 e se classificou para a final do torneio, por conta do gol fora de casa.

A final seria contra o Atlético Nacional, com o primeiro jogo na Colômbia, agendado para o dia 30 de novembro de 2016.

O voo que transportava rumo à final da Sul-Americana saiu do aeroporto de Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, na noite de segunda-feira, 28 de novembro de 2016. A aeronave da companhia aérea Lamia, da Venezuela, teria perdido contato com a torre de controle às 22h15 (local, 1h15 de Brasília).

O acidente ocorreu a poucos quilômetros de chegar à pista do aeroporto José María Córdova, em Rionegro (Antioquia), especificamente na cidade de La Unión, em uma região antes conhecida como Cerro Gordo e hoje renomeada para Chapecoense.

Segundo as investigações preliminares, o acidente teria sido causado por uma pane seca, quando há falta de combustível nos tanques para serem bombeados aos motores, causando a parada dos mesmos. A pane teria sido causada pelo planejamento incorreto do voo.

Apuração dos responsáveis dizia que a autonomia da aeronave era para 3 mil quilômetros, enquanto o trajeto tinha 2.975 quilômetros, tendo uma margem de apenas 25 km, considerada baixíssima na aviação.

Acidente aéreo da Chapecoense: vítimas fatais

A relação de todos os passageiros e tripulantes do voo foi divulgada horas após a constatação do acidente. Haviam 77 pessoas a bordo da aeronave, e 71 perderam a vida como resultado do acidente. Confira todos os nomes:

Acidente da Chapecoense: Delegação

Jogadores

  • Ailton Canela †
  • Alan Ruschel
  • Ananias †
  • Arthur Maia †
  • Bruno Rangel †
  • Cléber Santana †
  • Danilo Padilha †
  • Dener †
  • Kempes †
  • Filipe Machado †
  • Gimenez †
  • Neto
  • Jakson Follmann
  • José Gildeixon Clemente de Paiva (Gil) †
  • Josimar †
  • Lucas Gomes †
  • Marcelo †
  • Mateus Caramelo †
  • Matheus Biteco †
  • Sergio Manoel †
  • Tiago da Rocha (Thiaguinho) †
  • Willian Thiego †

Comissão técnica

  • Adriano Bitencourt †
  • Anderson Donizette Lucas †
  • Anderson Martins †
  • Anderson Paixão †
  • Cleberson Fernando da Silva †
  • Eduardo de Castro Filho †
  • Eduardo Preuss †
  • Gilberto Thomaz †
  • Luiz Carlos Sarolli (Caio Júnior) – técnico †
  • Luiz Cunha †
  • Luiz Felipe Grohs (Pipe Grohs) †
  • Marcio Koury †
  • Rafael Gobbato †
  • Sergio Luiz Ferreira de Jesus †

Acidente da Chapecoense: Dirigentes e convidados

  • Daví Barela Dávi †
  • Decio Filho †
  • Delfim de Pádua Peixoto Filho (vice-presidente da CBF e presidente da Federação Catarinense de Futebol) †
  • Edir De Marco †
  • Emersson Domenico †
  • Jandir Bordignon †
  • Mauro Bello †
  • Mauro Stumpf †
  • Nilson Folle Jr. †
  • Ricardo Porto †
  • Sandro Pallaoro (Presidente do clube) †

Acidente da Chapecoense: Profissionais de imprensa

  • André Podiacki (repórter, jornal Diário Catarinense) †
  • Ari de Araújo Jr. (repórter cinematográfico, Rede Globo) †
  • Bruno Mauri da Silva (técnico, RBS TV) †
  • Devair Paschoalon (Deva Pascovicci) (narrador, Fox Sports)†
  • Djalma Araújo Neto (cinegrafista, RBS TV) †
  • Douglas Dorneles (repórter esportivo, Rádio Chapecó) †
  • Edson Ebeliny (repórter esportivo, Rádio Super Condá) †
  • Fernando Doesse Schardong (narrador, Rádio Chapecó) †
  • Gelson Galiotto (narrador, Rádio Super Condá) †
  • Giovane Klein Victória (repórter, RBS TV) †
  • Guilherme Marques (repórter, Rede Globo) †
  • Guilherme van der Laars (produtor, Rede Globo) †
  • Jacir Biavatti (comentarista, RICTV, Rádio Vang FM e Rádio Momento FM) †
  • Laion Espíndola (repórter, Rede Globo) †
  • Lilacio Pereira Jr. (coordenador de transmissões externas, Fox Sports) †
  • Mário Sérgio Pontes de Paiva (comentarista, Fox Sports) †
  • Paulo Júlio Clement (jornalista, Fox Sports) †
  • Rafael Henzel (jornalista, rádio Oeste Capital)
  • Renan Agnolin (repórter, RICTV e rádio Oeste Capital) †
  • Rodrigo Santana Gonçalves (repórter cinematográfico, Fox Sports) †
  • Victorino Chermont (repórter, Fox Sports) †

Acidente da Chapecoense: Tripulação

  • Alex Quispe †
  • Angel Lugo †
  • Erwin Tumiri (técnico da aeronave) †
  • Gustavo Encina †
  • Miguel Quiroga (piloto da aeronave) †
  • Ovar Goytia †
  • Romel Vacaflores (assistente de voo) †
  • Sisy Arias †
  • Ximena Suarez (auxiliar de voo)

Ao todo, foram 71 mortos e apenas seis sobreviventes: os jogadores Alan Ruschel, Neto e Jakson Follmann, o jornalista Rafael Henzel, e os comissários de bordo Ximena Suárez e Erwin Tumiri.

Acidente aéreo da Chapecoense: como estão os sobreviventes

Alan Ruschel

Em 2016, Alan chegou à Chapecoense para complementar o elenco que chegaria à final da Sul-Americana naquele ano. Após o acidente, o jogador teve a chance de retornar aos gramados em um amistoso contra o Barcelona.

Em setembro de 2017, o lateral/meia voltou de forma oficial aos gramados em uma partida das oitavas de final da Copa Sul-Americana contra o Flamengo. Seu ciclo pela equipe Condá encerrou-se em 2021; em 2019, foi emprestado para o Goiás. Com o fim do contrato, o jogador saiu da equipe catarinense de forma ríspida, acionando a justiça contra o clube por falta de compromisso com atrasos de salários.

Desde então, o jogador passou por Cruzeiro, América Mineiro, Londrina, até chegar ao Juventude. Em 2023, sua campanha pelo clube gaúcho foi coroada com um retorno à Série A, decidida na última rodada contra o Ceará.

Neto

Assim como Alan Ruschel, Neto tentou protagonizar um retorno aos gramados; no entanto, sem sucesso. Em 2019, decidiu se aposentar devido a fortes dores. Segundo Neto, as dores que sentia eram maiores que o prazer de jogar futebol.

Ele continuou ligado à Chape, assumindo pouco tempo depois a função de superintendente de futebol.

Apesar de treinar por um curto espaço de tempo, o ex-jogador não teve a oportunidade de se despedir dos gramados. Em 2023, participou de um amistoso na Arena Condá, que serviu como sua despedida.

Neto é palestrante e atua na defesa dos familiares das vítimas do acidente aéreo, que seguem em disputas judiciais.

Jakson Follmann

Um dos goleiros do time em 2016, Jakson Follmann teve que se aposentar dos gramados após passar por uma cirurgia de amputação de uma de suas pernas. No entanto, continuou atuando pela Chapecoense, desta vez como embaixador do time, assim como Neto.

Quatro meses após o acidente, o ex-goleiro foi contratado como comentarista da Fox Sports Brasil, estreando em 12 de abril de 2017. Na televisão, o jogador participou do programa Popstar, um show de talentos da Rede Globo.

Na edição de 2019 do reality musical, Jakson se tornou campeão daquela edição, faturando o prêmio de R$ 250 mil.

Rafael Henzel

O único profissional de comunicação que estava presente no voo e se manteve vivo foi Rafael Henzel, da rádio Oeste Capital. No entanto, em 2019, o jornalista faleceu por conta de um infarto.

Rafael jogava futebol na cidade de Chapecó quando foi levado ao Hospital Regional do Oeste, ainda com sinais vitais, mas não resistiu.

Em 2017, Rafael Henzel lançou o livro “Viva como se estivesse de partida”. Na obra, ele fala sobre o incidente e a mensagem de importância à vida. Ele deixa filho e esposa.

Ximena Suárez

Quem menos se sabe depois do acidente é a aeromoça boliviana Ximena Suárez, única mulher que ficou viva após o acidente. Após o acidente, Ximena ficou internada na Colômbia por três semanas até retornar à Bolívia, onde conseguiu se reunir com seus filhos.

A última informação pública sobre ela é que, em 2019, estava estudando para começar a trabalhar na companhia aérea AmasZonas.

Erwin Tumiri

O comissário de bordo Erwin Tumiri foi um dos dois tripulantes que sobreviveram. Seu vídeo ligando para seus colegas após ser encontrado quase ileso pelas equipes de resgate colombianas foi um dos primeiros registros conhecidos da tragédia.

Após o acidente, Tumiri permaneceu ligado à aviação e também sobreviveu a outro grave acidente de ônibus em sua Bolívia natal, que deixou 21 mortos. O veículo em que ele se acidentou no quilômetro 72 da rodovia que liga Cochabamba a Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia.

“Ele está estável, graças a Deus. Me sinto feliz pelo meu irmão. Ele está com ferimentos no joelho e arranhões nas costas, está com um corte que vai ser suturado”, declarou à época sua irmã ao jornal local “Los Tiempos”.

Atualmente, trabalha na Diretoria de Aeronáutica Civil da Bolívia.

 

 

O Povo

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