Autoridades municipais e estaduais visitaram o local nesta quinta-feira, 15 (Foto: Reprodução/Facebook)

Total de 50 famílias de Caucaia, na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), foram expulsas de um conjunto habitacional em ataque de facção criminosa no mês passado, conforme o prefeito da cidade, Vitor Valim (PFL). O gestor esteve no local nessa quinta-feira, 15, anunciando que vai revitalizar a região, asfaltando as ruas, renovando a iluminação pública e pintando as fachadas das casas.

“Infelizmente aconteceu essa ação lamentável, em que toda essa população foi impactada por essa guerra de bandidagem e foi afrontada com um direito básico da propriedade privada, o sonho de todo cidadão de ter sua casa”, disse Valim em suas redes sociais. Há ainda no local um novo módulo do programa Caucaia Segura, que conta com forças de segurança municipais e estaduais e ficará à disposição dos moradores 24 horas por dia.

O tenente-coronel Bellini, responsável pelo módulo do Conjunto, ressaltou que o trabalho para melhoria da iluminação pública é um dos pontos fundamentais para combater a criminalidade. “O mais importante para a gente é isso, porque inibe o crime e facilita o trabalho da Polícia”, considerou em vídeo da prefeitura.

Também presente na visita ao Conjunto, Lia Ferreira Gomes, titular da Secretaria da Proteção Social, Justiça, Cidadania, Mulheres e Direitos Humanos (SPS). Ela explicou que as famílias foram forçadas a sair de suas residências, senão iriam “arrumar briga com o pessoal da facção”. Na visita, as autoridades constataram a volta de uma moradora para sua casa, que disse que decidiu retornar após a instalação da base policial.

O secretário da SSPDS, Sandro Caron, explicou que a Polícia Militar está, permanentemente, desde aquela ocasião, com uma base da PMCE no local, com 24 horas de policiamento preventivo e ostensivo. Além disso, a Polícia Civil já iniciou as investigações para identificar os autores das ameaças e responsabilizá-los.

“Seguimos de forma permanente no local, tendo esse trabalho sido feito com a Secretaria de Proteção Social, Justiça, Cidadania, Mulheres e Direitos Humanos (SPS) do Ceará. E fica aqui o nosso compromisso, mais uma vez, de que qualquer situação que chegue ao conhecimento das forças de segurança acerca de ameaças, contra pessoas no Estado, haverá respostas firmes e a responsabilização dos culpados”, pontuou.

Entenda o caso

Em junho deste ano, diversos chefes da facção criminosa Comando Vermelho (CV) decidiram deixar a organização, tornando-se neutros ou tentando estabelecer um novo grupo. A movimentação fez com que acontecessem ações como a expulsão dessas 50 famílias e ainda provocou dez mortes em uma semana. Na época, oito suspeitos dos crimes foram presos e dois adolescentes apreendidos.

A decisão pela saída da organização criminosa teria sido motivada por insatisfação com os “conselheiros” da facção carioca, que estipularam um alto valor para as “caixinhas” cobradas e não dariam amparo para os chefes quando estes iam presos. O racha interno na facção foi noticiado pelo jornalista Thiago Paiva, no site Bemditojor. Conforme a PM, a principal dissidente do CV em Caucaia é a “Tropa do Mago”, liderada por Francisco Cilas de Moura Araújo, o Mago, preso em julho de 2020.

Após o episódio, o CV teria enviado reforços para os locais para evitar a perda de territórios, de acordo com fonte ouvida pelo O POVO, o que aumentou a tensão. Em depoimento para o Ministério Público do Ceará (MPCE) divulgado nesta quinta-feira, 15, uma mulher comentou umas dessas disputas envolvendo as facções.

Ela explica que o seu namorado pertence ao CV e se mudou do bairro Bom Jardim, em Fortaleza, para o Condomínio Pabussu, em Caucaia. A edificação estaria sofrendo ameaças de integrantes da facção “Tropa do Mago”, que planejaria tomar o controle do tráfico de drogas no local e obrigar os atuais ocupantes a deixarem o CV e virarem seus aliados.

   
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