Legenda: Familiares de membros de facção também exerciam papéis de liderança e vendiam entorpecentes
Foto: Agência Diário

Mulheres de líderes de uma facção cearense continuavam a gerenciar o tráfico de drogas mesmo com a prisão dos seus companheiros pela Polícia. A análise foi realizada pela Delegacia de Repressão às Organizações Criminosas Organizadas (Draco), que elencou pelo menos cinco esposas de chefes do grupo que haviam assumido a função criminosa.

Maria Daniele da Rocha trocou mensagens com Yago Steferson Alves dos Santos, o ‘Yago Gordão’ ou ‘Supremo’, as quais demonstraram envolvimento no tráfico de entorpecentes e de munições, além de conhecimento nas questões financeiras da facção. O celular dele foi apreendido pela Polícia Civil, e os aplicativos analisados com autorização judicial.

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Daniele é esposa de Tiago Alves do Nascimento, o ‘Tiago Magão’ ou ‘Juara’. Os dois homens integram a Sétima Coluna da facção, grupo formado por lideranças e fundadores que possuem anéis templários a fim de distingui-los dos demais chefes. Nas conversas entre Daniele e Yago, ambos comentam sobre armamentos pesados, como a venda de um fuzil, e o pagamento de uma caixinha, paga pelos integrantes do grupo.

Principal distribuidor de drogas na cidade de Maracanaú, conforme a Draco, Humberto Álvaro de Souza Pereira, o ‘Jacaré’, deixou os negócios para a esposa Jéssica Farias de Souza assumir. Em uma conversa entre Yago e ‘Tiago Magão’, aquele afirma que a mulher de ‘Jacaré’ está vendendo rápido: “ela pediu pra eu virar 3 para branco e uns pra pedra aí. Eu virei pra ela. Aí tinha 9, agora só tem 4. E ela tá pagando a conta dele. Todo dia manda 20, 10. Está mandando mais ligeiro do que ele”, disse.

Irmã

As esposas de dois líderes do grupo ‘Os Quebra Coco’ (OQC), tido como de elite da facção, por serem especializados em homicídios, também entraram no tráfico após a ida dos seus maridos a uma penitenciária federal. Emésia de Barros Caldas Moreira, companheira de Noé de Paula Moreira (o ‘Gripe Suína’); e Andressa Duarte de Paula, do irmão dele, Misael de Paula Moreira (o ‘Afeganistão’), também foram identificadas pela Polícia Civil.

Emésia, conforme as investigações, “participa da narcotraficância” ao receber drogas enviadas ao grupo do marido. Em uma conversa, Yago manda enviar 5kg de maconha à ela. A irmã de Misael e Noé, Clédina Célia Paula de Sousa, também estaria envolvida no esquema criminoso, ela envia áudios a Yago pedindo que ele ajude a esposa de Misael a cuidar da área dele. Ela ainda afirma que irá “vender a casa da mãe” para pagar uma dívida do irmão Noé com Yago.

Além delas, Maria Leodona Ferreira da Silva, e sua irmã Maria Ivonilda da Silva também passaram a se envolver nos negócios da facção após Reginaldo Alves dos Santos (o ‘Irmão Pley’), companheiro da primeira, ser detido. Leodona seria responsável, conforme a Polícia Civil, pelo recebimento de depósitos em sua conta para financiar o tráfico de entorpecentes.

A Draco pontuou que, além de elas terem assumido funções no grupo criminoso após as prisões, a escolha delas pelos faccionados seria porque, “em tese, não são alvo de operações policiais, de forma que estas pessoas passariam desapercebidas e continuariam na perpetuação dos crimes”, escreveram os delegados.

Outro lado

Em depoimento, Daniele Rocha negou integrar a associação criminosa e disse que “nunca mexeu com altos valores, nem mesmo a pedido de ‘Tiago Magão’”. Maria Ivonilda também afirmou não fazer parte da facção, mas disse que a irmã Leodona está no grupo, ela ressaltou que nunca chegou a emprestar seu nome, nem conta bancária, para movimentar venda de drogas.

A irmã de Noé e Misael, Clédina Celia, pontuou que não integra a facção cearense e disse não lembrar de ter enviado áudio para Yago pedindo que ele ajudasse as cunhadas após a ida de seus irmãos a um presídio federal. As defesas das demais citadas na reportagem não foram localizadas.

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