ma semana depois, as cenas lamentáveis ocorridas no Nilton Santos no jogo de ida da semifinal da Copa do Brasil se repetiram nesta quarta-feira, na vitória do Flamengo por 1 a 0 sobre o Botafogo, no Maracanã. Houve tumultos na entrada dos torcedores rubro-negros, com invasão do estádio em alguns pontos. Para piorar, outra acusação de injúria racial, desta vez contra um funcionário terceirizado do Maracanã.

Três horas após o fim do jogo, o Jecrim encerrou o trabalho da noite com o saldo de nove ocorrências, envolvendo 15 torcedores, entre eles Wagner Marinho Tavares, acusado de ter ofendido um dos responsáveis pelo controle de acesso no Portão D do estádio.

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– Houve invasão de torcedores, tentamos separar as mulheres da confusão, e esse torcedor, que já tinha passado na catraca, voltou para discutir com o pessoal que estava controlando o acesso, dizendo que a culpa era nossa. Então ele disse que se eu não sabia trabalhar nisso, eu devia vender banana, porque eu era filho de preto – afirmou o funcionário da LSM Produções, que não quis se identificar.

Wagner Tavares foi detido pelo soldado Raphael Ribeiro, do Gepe, que presenciou a discussão, e encaminhado para a delegacia que funciona no estádio. Em seguida, ele foi levado para o Jecrim para audiência com o juiz Luiz Alfredo de Carvalho, o mesmo que coordenou o trabalho no jogo de quarta-feira passada, no Nilton Santos.

O acusado só deixou o Maracanã às 2h da madrugada, alegando ter sido mal interpretado, e vai ter que cumprir medidas restritivas semelhantes às estabelecidas no caso do torcedor alvinegro André Luís Moreira dos Santos, acusado de injúria racial contra a família do jogador Vinícius Júnior, do Flamengo, no jogo de ida da semifinal. Nesta quarta, André Luís compareceu à Cidade da Polícia durante a partida no Maracanã, uma das exigências do Juizado do Torcedor.

Wagner Tavares, que mora em Niterói, também terá de se apresentar à Cidade da Polícia nos dias de jogos do Flamengo pelos próximo seis meses. Além disso, terá de comparecer mensalmente ao Juizado do Torcedor, está proibido de mudar de endereço sem comunicação prévia ao Juizado e não pode deixar o estado por mais de dez dias sem autorização judicial.

Parentes do acusado, que aguardaram no Jecrim a sua liberação, negaram a ofensa racial.

– Não foi assim como estão dizendo, estão criando uma confusão. A mulher e o padrasto dele são negros, ele tem duas irmãs negras, não existe racismo na nossa família – afirmou Yuri Tavares, sobrinho de Wagner, acompanhado do padrasto do acusado, Paulo Roberto Altamiranda de Souza, de 56 anos.

– Eu sou casado com a mãe dele há 25 anos. A mulher dele é da minha cor – comentou.

 Fonte: G1.com

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