A cearense Myllena Cristyna foi convidada para participar de um documentário sobre jovens cientistas de vários países. — Foto: Arquivo Pessoal
A cearense Myllena Cristyna foi convidada para participar de um documentário sobre jovens cientistas de vários países. — Foto: Arquivo Pessoal

Destaque em descobertas científicas sobre o zika vírus e material que inibe vazamento de petróleo no mar, a jovem cearense Myllena Cristyna Braz da Silva, de 19 anos, viu o seu desempenho nas salas de aula e laboratórios da escola reconhecidos em documentário exibido em Hollywood, no Estados Unidos, e garantiu uma terceira bolsa de estudos, desta vez em Los Angeles. Para conseguir agarrar a oportunidade, ela organizou uma vaquinha virtual, a fim de custear passagem e visto de estudante.

Filha de agricultores, natural do distrito de Ema (aproximadamente 300 habitantes), no município de Iracema, no Ceará, Myllena foi destaque na maior feira de ciências do mundo, a Feira Internacional de Ciências e Engenharia da Intel (Intel Isef), com dois projetos. Com isso, a jovem já havia ganhado duas bolsas de estudo para universidades do Arizona.

O primeiro projeto foi uma pesquisa sobre maneiras de inibir a transmissão do zika vírus. Ao lado do colega de pesquisa, Gabriel Moura, teve a oportunidade de participar da feira com todas as despesas pagas.

A outra descoberta científica surgiu após a jovem provocar um incêndio acidental no laboratório da escola onde cursou o ensino médio. O incidente resultou em uma pesquisa de reciclagem de isopor e na geração de um material que pode ser usado para blindar o vazamento de petróleo no mar, contribuindo para a redução de um dos maiores problemas de poluição ambiental em todo o mundo.

Faculdade paga

Myllena se destacou em pesquisas sobre o zika vírus e na descoberta de material que pode conter vazamentos de petróleo. — Foto: Arquivo Pessoal

Myllena se destacou em pesquisas sobre o zika vírus e na descoberta de material que pode conter vazamentos de petróleo. — Foto: Arquivo Pessoal

Com a bolsa de estudos oferecida em Los Angeles para o colégio Hancock, a cearense Myllena poderá escolher o curso universitário que quiser, com as despesas da faculdade todas pagas. As aulas iniciam em janeiro. Mas a jovem precisa de ajuda financeira para arcar com as passagens e tirar o visto.

Mesmo com a contribuição feita para as ciências, Myllena revela que ainda está em dúvida sobre a carreira a seguir. “Eu amo as minhas pesquisas de paixão, tanto a do zika vírus, quanto a do petróleo, porque eu amo engenharia ambiental. Mas eu também tenho uma paixão maior pela comunicação. Eu sou apaixonada por comunicação, por filmagens, microfones, apresentação, e lá em Los Angeles eu fiz amizades com pessoas dessa área da Discovery, da National Geographic, que me falaram de muitas oportunidades existentes nessa área se eu quisesse seguir. E eu fico com aquela vontade: vou para a pesquisa ou para a comunicação? Ainda estou em dúvida, mas vou para uma dessas áreas”.

Chegando lá, Myllena ainda terá um período de seis meses para decidir, já que antes das disciplinas da graduação ela fará um curso para aperfeiçoar a língua inglesa.

Documentário

Das pesquisas feitas no ensino médio até as grandes telas de cinema. Ela foi convidada pelos diretores do documentário para fazer entrevistas, até ser uma das nove jovens selecionadas para participar da produção que focaria na participação dos estudantes no Intel Isef. Depois de pronto, o filme, intitulado “Science Fair”, ainda sem título em português, foi comprado pela National Geographic, encarregada da promoção e distribuição nos cinemas.

“Esse grupo de americanos veio até a minha cidade Iracema, ficou cinco dias em minha casa onde gravaram tudo, desde a hora em que eu acordava até a hora que eu ia dormir, toda a minha rotina. Lá nos Estados Unidos eles ganharam prêmios importantes até serem comprados pela National Geographic”, relata a jovem.

No início de outubro, Myllena foi aos Estados Unidos novamente para o lançamento do filme. “Teve tapete vermelho, o filme foi apresentado para convidados em eventos fechados, pessoas da alta sociedade, inclusive que já ganharam o Oscar, atores de filme, de alto nome nos EUA. Foi uma semana surreal. As pessoas que viam o filme vinham pedir autógrafos depois. Eu era conhecida nos Estados Unidos e não sabia. Nunca imaginei”, admira-se a jovem cientista.

Além da vaquinha virutal, a jovem cientista recebe doações por meio das contas bancárias no Banco do Brasil (Ag. 1074-X, Conta-Poupança 20061-1) e Bradesco (Ag. 0703-0, Conta-poupança 08521-9).

Nordeste Notícia
Fonte: G1