O comandante da 10ª Região Militar, general Fernando José Soares da Cunha Mattos, detalhou, na manhã de ontem, que o plano de atuação do Exército durante as eleições deste ano prevê o emprego de pelo menos cinco mil militares, no Ceará e Piauí. Os dois estados estão sob a sua jurisdição.

“O Exército estará presente aqui, na garantia da votação e apuração, essencialmente no Estado vizinho, o Piauí, e também no Estado do Ceará, atendendo à solicitação do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-CE), onde nós participaremos em cinco municípios cearenses, no primeiro turno, pelo menos”, assegurou.

A declaração foi dada durante entrevista coletiva concedida após o desfile cívico de 7 de Setembro, tradicionalmente realizado na avenida Beira Mar, em Fortaleza.

Mattos não cravou o efetivo que será distribuído entre os estados, mas adiantou que a demanda está sendo avaliada. “Todo um planejamento já está sendo feito, tanto no Piauí quanto no Ceará, e certamente nós teremos o aporte de tropas do Comando Militar do Nordeste aqui nos nossos dois estados, de modo a ter o efetivo necessário para atender à garantia de votação e apuração nos dois, aqui no Ceará e lá, no Piauí”, garantiu. “Certamente, mais de cinco mil homens estarão presentes”, completou.

O general afirmou que o grupo atuará na garantia da votação e apuração, em apoio à Justiça Eleitoral, coibindo crimes eleitorais. As autuações, contudo, serão realizadas somente pela Polícia Federal.

No Ceará, o reforço de tropas federais, solicitado pelo TRE, será direcionado, além de Fortaleza, aos municípios de Caucaia, Maracanaú, Juazeiro do Norte e Sobral.

Um dos motivos, conforme a Comissão de Segurança do TRE-CE, é a atuação das facções criminosas no Ceará, que poderiam interferir na dinâmica das votações.

Mattos, contudo, disse que o critério de escolha das cidades foi “populacional” e evitou comentários sobres as facções, já que o Exército não atuará na “garantia da lei e da ordem”, somente na coibição de crimes eleitorais.

No último mês de agosto, a necessidade da presença das tropas federais no Ceará causou polêmica. De início, o governador e candidato à reeleição, Camilo Santana (PT), defendeu que a Polícia Militar cearense tinha “efetivo suficiente” para garantir a segurança do processo eleitoral.

Porém, o governador posteriormente se posicionou favorável ao envio dos federais ao Ceará, argumentando, por meio de ofício enviado ao TRE-CE, ser “adequada qualquer nova iniciativa que venha somar-se aos nossos esforços e ampliar a capacidade das forças de Segurança do Estado para cumprir sua difícil missão de garantir a segurança ao povo cearense”.

Apesar de o general Mattos ter dado o reforço como certo, cabe agora ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidir sobre o envio das tropas ao Estado.

 

Nordeste Notícia
Fonte: O Povo/Thiago Paiva