Quando a delegação chegou, os jogadores desceram, um a um, do ônibus e caminharam para dentro do Castelão, de onde sairia o carro dos bombeiros. Nesses poucos passos, quem estava mais perto, conseguiu ver – e até pegar! – na taça de campeão brasileiro.

Como bem versa o hino coral, “companheiros inseparáveis, na alegria e na tristeza”, a torcida não arredou o pé. O sol de meio dia não permitia sombras para ninguém. Mas não havia problema. Edson Cariús, em seu primeiro contato com o torcedor após o título, foi erguido pela massa coral e carregado até o caminhão dos bombeiros.

– Isso é muito gratificante para mim, ser recebido desse jeito por essa torcida. Mas o Ferroviário merecia demais! – afirmou o artilheiro.

Quem já havia chegado, tratou de acompanhar o Ferroviário até a Barra do Ceará, no Elzir Cabral, casa do Tubarão mais simpático do país. Devagarzinho, sem pressa, saboreando cada momento do título, a delegação, em carro aberto, encaminhou-se até sua sede para ser abraçado novamente por inúmeros outros torcedores.

– Ôôô! O Tubarão voltoooou! – cantavam uns.

– Ôôô! O Campeão voltoooou! – cantavam outros.

Lembraram até da música que homenageia Pelé, adaptava para Edson Cariús. O artilheiro, por sinal, novamente foi alçado aos céus pela torcida, que não o deixou se esforçar mais. Nem mesmo o calor de meio dia, o sol a pino de 14 horas, impediu que o torcedor esperasse pelos seus guerreiros, representantes na glória máxima de um Campeonato Brasileiro. A festa seguiu dentro do Elzir Cabral. E com o céu aberto, quase sem nuvens, certamente Valdemar Caracas, um dos fundadores do Ferroviário, falecido em 2013, sorria, vestindo seu manto coral e cantarolando o hino do time mais famoso da Barra do Ceará.