O número de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) causada pela influenza passou de 27 para 91 no Ceará; do subtipo H1N1, foi de 24 para 76. O total de óbitos também aumentou: de 4 para 11. A situação, apesar de séria, ainda não é considerada uma epidemia pela Secretaria da Saúde do Estado (Sesa). Os casos foram registrados em apenas 16 dos 184 municípios cearenses.

 

Nenhum dos óbitos tinha histórico de vacinação e entre os quatro postos de saúde visitados pelo O POVO ontem, apenas um oferecia imunização. Outro fator apontado pelo boletim epidemiológico é que apenas três das pessoas que morreram fizeram uso do medicamento Tamiflu em tempo oportuno. “Temos trabalhado muito nisso, tentado difundir o máximo possível o uso de Tamiflu, principalmente para os grupos de risco”, afirmou a superintendente da rede de unidades da Sesa, Tânia Mara, também infectologista.

A recomendação é: se faz parte do grupo de risco e estiver com sintomas gripais (febre, tosse, dor de garganta) deve iniciar o uso do medicamento. “Recebemos novo lote ontem, foram 30 mil comprimidos”, afirmou Tânia. A posologia é de um comprimido a cada 12 horas, por cinco dias. A profissional alertou, porém, que é preciso seguir indicações de prevenção.

 

Entre as 11 pessoas mortas por H1N1, seis apresentavam comorbidades (imunossupressão, cardiopatia, diabetes, obesidade e pneumopatia crônica).

 

Um dado relevante apresentado pelo boletim, divulgado ontem, é de que 123 casos de SRAG ainda estão sendo investigados, aguardando o resultado do exame que usa a técnica de swab da nasofaringe. “(Os números) podem mudar porque temos exames aguardando respostas”, ponderou Tânia Mara.

Entre as ocorrências da forma grave da Influenza, uma não teve o vírus subtipado. Não é H1N1, H2N3 ou Influenza B. A infectologista garantiu que isso não significa ser um novo subtipo de vírus. “A carga viral era tão baixa que não foi possível detectar”. Os números totais de SRAG (281) ainda são menores do que os registrados em 2017 (286), mas ano passado apenas 12,6% tinham como causa a Influenza. Em 2018, essa porcentagem já é de 32,4%. “É porque ano passado só circulou o H1N1”. É preciso ressaltar que a SRAG pode ser causada por diversos agentes infecciosos. Entre eles, os vírus da Influenza.

Segundo Ana Vilma Leite, coordenadora de imunização da Sesa, desde o início da campanha, o Estado já recebeu 1,3 milhão de doses da vacina através do Ministério da Saúde (MS), 40% do esperado. Conforme o Sistema de Informações do Programa Nacional de Imunizações (SIPNI), atualizado diariamente, o Ceará já imunizou 338.625 pessoas. Mas os números, conforme Ana Vilma, ainda estão sendo inseridos pelos municípios. (Colaborou Isaac de Oliveira)

 

GRUPOS PRIORI-TÁRIOS

Recebem imunização na rede pública: crianças de 6 meses a 5 anos, idosos, gestantes e puérperas, pessoas com doenças crônicas não transmissíveis, indígenas e professores

 

SERVIÇO

VACINAÇÃO NO FIM DE SEMANA

Sete postos de Saúde da Capital funcionam hoje, das 10h às 17 horas, e amanhã, das 8h às 17 horas.

 

> Carlos Ribeiro (R. Jacinto Matos, 944 – Jacarecanga)

> Paulo Marcelo (R. 25 de Março, 607 – Centro)

> Irmã Hercília Aragão (R. Frei Vidal, 1821 – São João do Tauape)

> Anastácio Magalhães (R. Delmiro de Farias, 1679 – Rodolfo Teófilo)

> Luís Costa (R.Marechal Deodoro, 1501 – Benfica)

> José Paracampos (Rua Alfredo Mamede, 250 – Mondubim)

> Messejana (R.Coronel Guilherme Alencar s/n)

 

JUANA PORTUGAL (INI/FIOCRUZ)

JOSÉ CERBINO NETO

Infectologista da Fiocruz

 

BATE-PRONTO

O POVO – Por que H1N1 é mais perigoso do que os outros vírus da Influenza?

 

JOSÉ CERBINO – Não é que seja mais perigoso, na verdade é uma conjunção de fatores. Primeiro a questão de ser mais agressivo ou não. As diferenças estão em como nossas defesas reconhecem o vírus. Em alguns lugares as pessoas estão mais vacinadas, então têm formas menos graves ou em um ano a vacina está mais ajustada para um determinado subtipo. Lembrar também que o H1N1 é um vírus mais recente.

 

OP – O que as pesquisas que estão sendo realizadas pela Fiocruz podem trazer?

 

CERBINO – O que tem se buscado, e algumas organizações têm investido nisso, é o desenvolvimento de uma vacina universal, para proteger contra todos os tipos de Influenza. Se busca uma parte do vírus, porque todos são Influenza, então há uma parte conservada entre eles. Essa vacina permitiria que a gente não precisasse alterar a cepa de um ano para o outro e, com isso, o ganho de produção seria gigantesco. Poderíamos trabalhar com proteções mais longas. Os riscos de grande pandemia diminuiriam muito.

 

OP – A eficácia do Tamiflu é mesmo bem maior nas primeiras 48 horas?

CERBINO – A ideia é que ele seja iniciado nas primeiras 48 horas, mas até em quatro dias tem benefício. Principalmente nos casos graves. Nós temos poucos antivirais, porque ele vai impedir que o vírus se multiplique, mas para doença viral esse tempo é muito curto. O vírus começa a se multiplicar até três dias antes dos sintomas aparecerem, que é o período de incubação. E continua a se multiplicar até um pouco depois. Nesse momento, o remédio já não faz tanto efeito.

 

OP – Porque o nome dado é Influenza?

 

CERBINO – Vem do latim e tem a ver com a influência que, na Idade Média, se acreditava que os astros tinham sobre as pessoas que adoeciam. Elas estavam sob influência dos astros. Como a doença sempre aparecia naquela época, e daí vem a sazonalidade, achava-se que havia outros fatores que influenciavam.

Nordeste Notícia
Fonte: O povo/Sara Oliveira