Um grupo suspeito de fraude no seguro por Danos Pessoais causados por Veículos Automotores de via Terrestre (DPVAT) foi desarticulado ontem, em Boa Viagem (a 220 km de Fortaleza). Policias civis, guardas municipais, intermediadores e um médico foram alvos de mandados de prisão por fraude de documentos e situações para recebimento do benefício. A Operação Lampana foi deflagrada na manhã de ontem. As investigações, que ocorrem desde maio de 2017, são do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO) do Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE), juntamente com a Promotoria de Justiça da Comarca de Boa Viagem, e com apoio da Polícia Civil.

De acordo com o promotor do Gaeco de Boa Viagem, Marcos William Leite, existiam vários modi operandi do crime, mas a maioria consistia em cooptar pessoas que tiveram acidentes mais leves de trânsito e, com a conivência da guarda municipal, forjar dados de uma relatoria de acidente de veículos e fabricar boletins de ocorrência com policiais civis.

O grupo, conforme a investigação, contava com a parceria do médico José Carlos Martins Filho, que ofereceria laudos com maior gravidade que a situação real do paciente ou mesmo atestando incapacidade permanente. Além do médico, foram expedidos mandados de prisão temporária contra Maria Clenes Rodrigues, Elionésio Ferreira Maciel e Valdenor Rodrigues da Silva, que realizariam intermediação entre vítimas ou familiares e a Seguradora Líder; os guardas municipais José Waldeci Freitas Vieira e Adriano Aerre Martins e os policias civis Zilma Ferreira de Castro e Antônio Erivando Ribeiro Guedes. Dos mandados expedidos, foram cumpridos seis de prisão temporária e nove de busca e apreensão, estando os pendentes em fase de diligências para cumprimento pela Polícia Civil.

“Em um caso, a pessoa estava com uma escoriação bem leve na parte lateral da costela e o laudo era de que havia quebrado a costela. Havia um valor mensal pago às pessoas envolvidas na fraude”, relatou o promotor. De acordo com ele, ainda não foi possível avaliar o montante desviado. William alerta que o Ceará é o terceiro estado com maior número de fraudes contra o seguro e que a maioria dos golpes tem envolvimento de profissionais de todas essas instâncias. “É um modus operandi semelhante em vários municípios”, denuncia.

Por meio de nota, a Seguradora Líder, administradora do DPVAT, informou que o ponto de partida para a Operação Lampana foi sua iniciativa de encaminhar uma sequência de três notícias-crime. “As ações das autoridades competentes, em parceria com a Seguradora Líder, evitaram o pagamento indevido de indenizações do seguro DPVAT no valor de R$ 230 mil, relacionados à ação da quadrilha”. A empresa ressalta que mantém canais para receber denúncias do crime.

Também por nota, a Controladoria Geral de Disciplina dos Órgãos de Segurança Pública e Sistema Penitenciário (CGD) afirma que já determinou as devidas apurações disciplinares. “A Delegacia de Assuntos Internos (DAI) realizou cumprimento de mandados de busca e apreensão”.

 

NÚMEROS 

23o Mil reais é o valor de pagamentos indevidos evitados, segundo a Seguradora Líder, pela ação.

Mandados de prisão temporária foram expedidos na Operação Lampana. Destes, seis foram cumpridos.

Mandados de busca e apreensão foram expedidos e cumpridos na ação deflagrada em Boa Viagem.

 

Nordeste Notícia
Fonte: O Povo/Eduarda Talice