Image-0-Artigo-2321983-1
Segundo a Polícia Federal, a quadrilha negociava, prioritariamente, com candidatos ao curso de Medicina ( FOTO: ANTÔNIO RODRIGUES )

Juazeiro do Norte. A Polícia Federal (PF) vai analisar o material apreendido em poder dos suspeitos de fazerem parte de uma quadrilha que atuava no esquema de fraudes em concursos públicos e no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Ontem, a PF e o Ministério Público Federal (MPF) deflagraram a “Operação Adinamia”, nos estados do Ceará, Paraíba e Piauí. Até o fim da noite, quatro pessoas haviam sido presas preventivamente, duas em Fortaleza e duas em Lavras da Mangabeira. Além disso, foram cumpridos 21 mandados de busca e apreensão e 11 de condução coercitiva.

A fraude acontecia com a violação antecipada de lacres para o acesso às provas do Enem e concursos, através dos próprios fiscais. No dia da avaliação, falsos candidatos realizavam a prova e transmitiam as respostas do gabarito através de ponto eletrônico. A quadrilha cobrava até R$ 90 mil. O serviço era oferecido em escolas e cursinhos pré-vestibulares. Muitos pais de estudantes negociavam o acordo. A Polícia Federal ainda está fazendo um levantamento do montante movimentado no esquema.

A investigação foi iniciada no Enem de 2016, quando dois candidatos foram presos em flagrante por denúncia de fraude. A Delegacia de Polícia Federal de Juazeiro do Norte ficou responsável pela investigação, já que a quadrilha tinha forte núcleo na região, atuando em Juazeiro do Norte, Barbalha, Abaiara, Mauriti e Lavras da Mangabeira, além da capital, Fortaleza.

Na Paraíba, pessoas das cidades de São José de Piranhas e Cajazeiras estão sendo investigadas, enquanto no Piauí, os agentes atuaram em Teresina. De acordo com o delegado Regional de Combate ao Crime Organizado (DRCOR) Wellington Santiago, o grupo era bem articulado e havia três núcleos centrais de atuação: Fortaleza, Lavras da Mangabeira e Barbalha. “Não há notícia de fraude, até o momento, no Enem de 2017. Mas terá pesquisa e investigação”, garante. Todos os suspeitos fazem parte da mesma organização, que conta com pessoas ligadas ao Ensino Superior.

Líderes

A Operação, em sua primeira etapa, focou nos candidatos que utilizaram a fraude e nos líderes da quadrilha, mas a Polícia Federal não descarta outras fases. “Hoje, recolhemos uma série de documentos e equipamentos computacionais que passará por perícia. A partir dessa avaliação e análise de dados dessas mídias é que poderemos definir os participantes, valores e individualizar a conduta de cada um, a responsabilidade deles”, explica o delegado da PF.

“Uma investigação como esta extrapola a parte criminal. Afeta aquele candidato que passou a vida toda se esforçando, de maneira responsável, almejar uma vaga em um vestibular ou concurso. É saber que pessoas tentaram burlar através de artifícios ou processo espúrio”, completa Wellington Santana, indicando que a quadrilha negociava, prioritariamente, com candidatos ao curso de Medicina.

Cerca de 90 policiais federais participam da ação, que contou com o apoio da Polícia Militar no cumprimento dos mandados. O grupo responderá por fraudes a processo seletivo e concursos públicos, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

Nordeste Notícia
Fonte: Diário do Nordeste/Antônio Rodrigues