Quem te viu e quem te vê
Oh meu velho Jatobá.
O rio da minha infância
Vivida no Ceará.
Agora tão poluído,
E se não for acudido
De ti não sei que será…
*
Já não se vê as meninas
Correndo pra se banhar,
Menino bobo espreitando
Somente para espiar.
E o canto das lavadeiras
Não se escuta em Ipueiras
Meu rio vai se acabar…
+
Se não se acabar de vez,
Vai mudando de feição,
Pois recebendo esgotos,
Abriga a poluição.
Com isso perde a cidade
Que vai viver de saudade
Com o rio no coração.
*
Centenárias oiticicas,
Ladeavam tuas beiras,
Não vejo mais o angico,
Nem as velhas ingazeiras.
Ainda posso encontrar
Mas se muito procurar
As lindas carnaubeiras.
*
Os machados e queimadas.
Causam a destruição.
O homem inconsequente,
Utiliza sua mão
Para acabar com a riqueza,
Encantos da natureza,
Agora em degradação.
 

Dalinha Catunda 

Nordeste Notícia com colaboração Carlos Moreira